Aegea Saneamento prepara IPO bilionário para destravar valor e expandir investimentos
O IPO da Aegea é aguardado entre maio e junho de 2026 e já vem sendo considerado como uma das maiores operações vistas no mercado
A Aegea avança nos últimos detalhes para sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), prevista para ocorrer entre maio e junho deste ano. A operação ganhou força definitiva após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovar a conversão do registro de emissor de valores mobiliários da companhia para a categoria “A”, pré-requisito formal necessário que a habilita a negociar suas ações na bolsa de valores.
Segundo Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa, acionista que detém cerca de 13% do capital da Aegea, o objetivo da oferta é garantir uma estrutura de capital mais confortável para fazer frente aos novos investimentos e às novas oportunidades, mas também para desalavancagem dos resultados, ajustando a estrutura de capital e reduzindo o peso das dívidas no balanço. Ainda segundo o executivo, embora a primeira janela do ano tenha sido prejudicada pelos conflitos no Oriente Médio, o projeto segue a passos largos, com bancos contratados, sondagens feitas e roadshows realizados com investidores no Brasil e no exterior.
A expectativa do mercado quanto ao valuation da empresa é alta. Analistas e acionistas esperam que a companhia de saneamento alcance um valor de mercado acima dos R$ 40,5 bilhões.
E os recursos que serão captados já possuem alvos estratégicos definidos pela Aegea: disputar a privatização da Copasa, que vem sendo classificada como um grande projeto de 2026, e ampliar a capacidade de execução e destravar obras, visando ao atendimento das metas de universalização do Marco Legal do Saneamento.
Cagepa adia leilão da PPP de saneamento para maio de 2026
O leilão da PPP de saneamento foi adiado pela Cagepa para 15 de maio. Mudança visa dar mais prazo a investidores e garantir competitividade
A Cagepa (Companhia de Água e Esgotos da Paraíba) anunciou o adiamento do leilão da Parceria Público-Privada (PPP) de esgotamento sanitário na Paraíba. Com a mudança, a sessão pública de licitação, que estava inicialmente prevista para ocorrer no dia 31 de março de 2026, foi reagendada para o dia 15 de maio de 2026, às 10h. Consequentemente, as empresas interessadas ganharam um fôlego extra: 45 dias para aprofundar os estudos e realizar a entrega das propostas comerciais e dos documentos de habilitação em 12 de maio de 2026.
De acordo com o comunicado oficial emitido pela Comissão de Licitação, a alteração no cronograma da licitação, com a concessão de prazo adicional, visa “a atender solicitações apresentadas por interessados e proporcionar prazo adicional para análise dos documentos licitatórios e estruturação das propostas comerciais, em privilégio à competitividade do certame”.
Com estruturação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio do Governo Federal, a concessão prevê investimentos da ordem de mais de R$ 3 bilhões ao longo de 25 anos. A meta é beneficiar 85 municípios paraibanos atendidos dentro das microrregiões do Litoral e do Alto Piranhas, alinhando o serviço às diretrizes e metas de universalização contidas no Novo Marco Legal do Saneamento Básico do Brasil.
O critério de julgamento para a definição do vencedor no leilão será o de menor valor de contraprestação, ou seja, vence quem oferecer o menor custo que a Cagepa terá que pagar pelos serviços.
Com aporte de R$ 7,5 bi, governos articulam concessão de saneamento na Bacia do Rio Doce
Governos federal e de Minas iniciam estruturação de projeto de saneamento na Bacia do Rio Doce com investimentos previstos de R$ 7,5 bilhões
Os Governos Federal e do Estado de Minas Gerais deram início à estruturação de projeto de saneamento básico na Bacia Hidrográfica do Rio Doce. A iniciativa, que prevê um aporte da ordem de R$ 7,5 bilhões, visa à concessão dos serviços de abastecimento e esgotamento sanitário em 200 municípios mineiros e faz parte das atividades contempladas no Novo Acordo do Rio Doce, destinado a reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015.
Embora o edital de licitação esteja programado apenas para 2027, o cronograma já prevê a realização de consultas públicas ainda no decorrer de 2026. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de diagnósticos técnicos, que inclui visitas presenciais às cidades beneficiadas. O trabalho de estruturação do modelo de contrato é coordenado pela International Finance Corporation (IFC) – braço do Banco Mundial.
O objetivo principal da iniciativa é atender às metas de universalização dos serviços de saneamento até 2033. Além de água e esgoto, os recursos poderão abranger ainda investimentos em outros componentes do saneamento básico, como manejo de resíduos sólidos urbanos e drenagem urbana.
Vale destacar que, até meados de 2025, a média de abastecimento de água nas cidades da bacia era de 62,89%, enquanto o tratamento de esgoto não passava de 58,49%. Ambos os indicadores escancaram a enorme distância em relação ao que determina o Marco Legal do Saneamento, que exige 99% de cobertura para água e 90% para esgotamento.



