O avanço da agenda de água e esgoto e a expectativa em torno da COPASA

Com uma carteira robusta de projetos e leilões bilionários no horizonte, o setor de saneamento avança em ritmo acelerado e a possível privatização da COPASA desponta como um dos movimentos mais estratégicos do ano

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O calendário de projetos de saneamento em 2026 mantém o setor aquecido, com uma carteira que combina iniciativas em diferentes estágios de maturidade e modelos contratuais variados. À semelhança do que se observa em outros segmentos de infraestrutura, o desempenho desses projetos tende a funcionar como um termômetro relevante para o apetite do mercado e para a consolidação de diretrizes regulatórias e estruturais ao longo do ano.

Entre os projetos com cronograma mais definido, a PPP de esgoto da Cagepa permanece como um dos destaques do Nordeste, com a prorrogação do prazo para entrega de envelopes para início de maio. A postergação reforça a preocupação em assegurar maior competitividade ao certame, em linha com um movimento recorrente em projetos de maior complexidade técnica e financeira. Ainda na região, avançam os estudos de PPPs de esgotamento sanitário no Rio Grande do Norte, sinalizando a continuidade da estratégia de regionalização e ganho de escala.

No Nordeste também se insere o projeto de água e esgoto do Bloco D de Alagoas, Projeto Arapiraca, que busca ampliar a cobertura e a eficiência dos serviços em uma das regiões mais relevantes do Estado. Já no Sul, a concessão dos serviços de água e esgoto de Porto Alegre desponta como uma das iniciativas estruturantes do ano, com potencial de atrair operadores nacionais e internacionais interessados em ativos urbanos de grande porte.

No Sudeste, o programa Universaliza SP figura como um dos movimentos mais robustos da agenda recente. Com previsão de leilão em setembro de 2026, o projeto deve mobilizar cerca de R$ 20 bilhões em investimentos para a universalização dos serviços em aproximadamente 218 municípios paulistas atualmente não atendidos pela Sabesp. Trata-se de uma iniciativa que, pela escala e pelo desenho, pode redefinir parâmetros de estruturação para projetos regionalizados no país.

É nesse contexto que se insere a discussão sobre a privatização da COPASA, um dos temas mais acompanhados pelo setor no momento. O Governo de Minas Gerais já sinalizou a intenção de avançar com a desestatização da companhia, ainda que o modelo definitivo esteja em fase de delineamento. As informações divulgadas até o momento indicam a avaliação de alternativas que podem combinar a alienação de controle com mecanismos de preservação de diretrizes públicas, sobretudo no que se refere à universalização e à modicidade tarifária. Um passo importante foi tomado no último dia 26, a assinatura do aditamento do instrumento de prestação de serviços com o município de Belo Horizonte – estrutural para o projeto.

Entre as possibilidades em análise, ganha força a estruturação de um modelo que permita a entrada de um operador estratégico, com eventual pulverização acionária complementar no mercado de capitais. A discussão envolve, ainda, o redesenho de contratos de programa e a adaptação da companhia a um ambiente regulatório mais alinhado às exigências do novo marco legal do saneamento.

Embora não haja, até o momento, uma data oficial para o leilão, a expectativa é de que os estudos avancem ao longo de 2026, com eventual definição de cronograma mais concreto a partir da consolidação do modelo. O timing do projeto dependerá, em grande medida, da maturação das análises técnicas, da articulação política e da recepção do mercado às premissas adotadas.

A eventual privatização da COPASA, pela relevância do ativo e pela complexidade envolvida, tende a se tornar um marco na agenda de saneamento. Inserida em um pipeline já robusto, a operação poderá não apenas testar o apetite dos investidores, mas também contribuir para o aprimoramento dos modelos de desestatização no setor, em um momento em que escala, governança e capacidade de execução se mostram determinantes para o sucesso dos projetos.

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