Pandemia em Portugal foi pauta do terceiro episódio dos Diálogos Covid-19

A convidada Sara Mascarenhas falou sobre os principais motivos para a contenção da doença no país europeu
Michele Camilo (2)

Laura Hoffmann Weiss

Analista de Comunicação e Marketing

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Na última terça-feira (07/04), o Vernalha Pereira realizou o terceiro episódio dos Diálogos Covid-19 – sistemas de saúde e combate à pandemia, abordando Brasil e Portugal, com a participação da jurista portuguesa Sara Mascarenhas. Segundo Silvio Guidi, sócio da área de healthcare e life sciences, o objetivo do projeto vem sendo realizado. “Queremos capturar algumas experiências que estão sendo vividas mundo afora, para que possamos aplicar aqui no Brasil e evitar o máximo possível a contaminação desta pandemia em nosso país”.

Portugal, atualmente, é um dos países com menor contaminação pelo Covid-19 na Europa. Quando comparado com seus vizinhos, o país está lidando muito bem com os casos confirmados e apresenta um grande número de recuperados. Durante a live no Instagram do Vernalha Pereira, Sara Mascarenhas abordou dois motivos principais para esta contenção da pandemia em Portugal: o sistema de saúde diferenciado e a conscientização da população, como um todo.

Para a jurista, por conta de o país ser relativamente mais próximo da Itália, todos estavam atentos. “O primeiro caso de Portugal foi confirmado no dia 02/03, e o país já estava muito alerta para a situação. Quando tudo começou na Itália vimos a propagação devastadora, e o Governo e a população daqui entrou em prevenção. Entre os dias 11 e 12/03, mesmo antes do Governo divulgar o plano de contingência, a própria população já estava tomando atitudes espontâneas de isolamento social”, contou Sara.

Contando com um sistema de saúde público preparado e referência em situações de risco – como é o caso do Covid-19 – Portugal está disponibilizando assistência médica para os pacientes se tratarem em casa. Uma das ferramentas é o SNS24, um centro de contato do Serviço Nacional de Saúde. “A equipe faz uma triagem por telefone, e assim consegue direcionar para o tratamento correto, sem sair de casa, e evita a ida desnecessária ao hospital. Na fase de mitigação, a maior parte das pessoas com os sintomas mais leves estão em casa. Estão nos hospitais quem precisa de mais assistência médica”.

 A telemedicina está presente e em uso em Portugal desde 2007, época em que foi criado um grupo de trabalho para o desenvolvimento desta modalidade, segundo Sara Mascarenhas. “Já tem algum tempo que acontecem consultas online, prescrição médica via SMS, tanto no sistema nacional (público) como no privado. Sei de um amigo meu que fez consulta on-line, por um hospital privado, e mandou até fotos da garganta inflamada para o médico. Funciona”.

Uma das conclusões sobre a telemedicina foi que, em Portugal, as questões de prática indevida da profissão são substituídas pela boa-fé. “No sistema de saúde português, vangloria-se a boa-fé.  É aceitável correr certo risco, mas em prol de um sistema mais tecnológico, mais eficaz.”, comentou Silvio Guidi. “Já aqui no Brasil temos uma inversão de parâmetros. A telemedicina aqui é abordada primeiro em evitar abusos, para depois se pensar na ajuda ao paciente. No Brasil, a presunção de boa-fé está mais nos livros do que na vida real”, completou Silvio.

Como fechamento e também uma inspiração para o Brasil, Sara Mascarenhas reforçou as medidas que foram tomadas por Portugal. “O que eu acho que está ajudando nossos números, que são mais baixos, são as medidas adotadas pelos próprios cidadãos individualmente. Empresas, antes mesmo do anúncio do estado de emergência, já enviaram os trabalhadores para teletrabalho. Vivemos uma restrição no nosso direito de circulação, mas sempre com o discurso de salvar a vida dos portugueses. A nossa localização é periférica, somos um destino muito mais turístico do que de passagem. O fechamento das fronteiras também nos ajudou muito. Mas não podemos relaxar, pois podemos passar a aumentar esses números. Os cuidados devem continuar”, relatou a jurista portuguesa.

Guidi finalizou o diálogo entre Brasil e Portugal fazendo um panorama. “Está muito claro o quanto a telemedicina vem sendo um primeiro canal muito acessível e muito útil para o cidadão português. Aqui no Brasil, temos um canal novo do SUS, mas ainda não está sendo muito divulgado. Não tenho dúvidas que se Portugal seguir assim, será um dos países menos afetados pelo Covid-19. O exemplo português no aumento de número de testes e na criação de canais não presenciais deve ser seguido”.

Os próximos episódios dos Diálogos Covid-19 – sistemas de saúde e combate à pandemia já têm data marcada. Acontecerão sempre nas terças e quintas-feiras, às 18:00 (horário de Brasília), no Instagram do Vernalha Pereira (@vernalhapereira).

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