Telemedicina e voluntariado no Reino Unido foram destaques do 4º Diálogo Covid-19 promovido pelo Vernalha Pereira

A conversa contou com a participação da advogada Marianne Webber, que contou sobre as principais ações do país europeu frente à pandemia
Michele Camilo (2)

Laura Hoffmann Weiss

Analista de Comunicação e Marketing

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Na última quinta-feira (09/04), o sócio da área de healthcare e life sciences do Vernalha Pereira, Silvio Guidi, conversou com a advogada atuante na Inglaterra, Marianne Webber. Este foi o quarto episódio dos Diálogos Covid-19 – sistemas de saúde e combate à pandemia, e entre os principais destaques, a advogada falou sobre a telemedicina avançada e o senso de comunidade e voluntariado dos ingleses.

Debatendo sobre a saúde pública do Reino Unido, Marianne Weber apresentou sua visão como usuária do sistema. “O comum aqui é ter somente o sistema público mesmo, pois é de muita qualidade. A maioria dos meus amigos ingleses não tem um seguro de saúde privado. Alguns escritórios e empresas dão essa opção para seus colaboradores, mas mesmo no sistema privado acabamos tendo um contato com o serviço público”.

Este contato com a saúde pública é muito frequente, pois segundo Marianne, no Reino Unido, o foco é na eficiência do sistema. “Cada pessoa tem um clínico geral na sua região, e temos a opção também de nos registrar com um clinico online/remoto (telemedicina). As consultas com os clínicos gerais geralmente duram 20 minutos e só podemos falar de um problema por consulta. O sistema é gerado para eficiência. Dependendo da gravidade eles vão te encaminhar para um especialista. Ginecologista, por exemplo, você faz exames anuais e isso é feito pelas enfermeiras. Dependendo do resultado eles vão levar para um especialista”, contou a advogada passando um panorama geral da saúde pública na Inglaterra.

Chamado de National Health System (NHS), o sistema de saúde pública inglês já disponibiliza há mais de um ano, um aplicativo para smartphones. “O app do NHS é muito útil e funciona. Não substituiu uma consulta. Mas para prescrições repetitivas, ou acompanhamento, por exemplo, você responde o questionário no aplicativo e envia para um clinico geral. O médico lê e se precisar de mais alguma informação eles enviam uma mensagem pedindo. Já aconteceu comigo. Funciona bem. E hoje em dia, com a crise do Covid-19, isso tem nos mostrado como vamos desenvolver relações no futuro, com o uso da internet”, contou Marianne durante a live.

Abordando o assunto da pandemia do Covid-19, a questão que mais chamou a atenção foi a organização do Reino Unido frente aos cuidados. Marianne Webber falou sobre as fases do país, “A primeira morte por Coronavírus no Reino Unido foi dia 05 de março. Desde então, tivemos uma primeira fase de contenção e identificação de possíveis contaminados. Agora estamos na segunda fase, com lockdown. Isolamento com o objetivo de atrasar a disseminação. Atualmente, as pessoas só podem sair de casa por quatro motivos: fazer compras essenciais ou remédios, ir ou voltar do trabalho, necessidades médicas ou atividade física (uma vez ao dia). Quem desrespeita isso, a polícia está parando e dando multas. O patrulhamento está cada vez maior”.

Os números de voluntariado também foram abordados. E o senso de comunidade dos ingleses inspirou os participantes da live. “Ao ver a situação da saúde se complicando, foram abertas vagas para voluntariado, o que está sendo muito importante para o sistema. Mais de 750 mil pessoas estão ajudando, principalmente na distribuição de comida e remédios para as pessoas necessitadas. Aqui existe um sentido de comunidade muito grande. Na minha rua tem até um grupo de WhatsApp para uns ajudarem aos outros, indo no mercado e etc. O voluntariado é uma forma das pessoas retribuírem esse sistema de saúde que funciona muito bem para eles. As pessoas veem o sucesso e eles querem contribuir para isso”. A advogada complementou sobre o carinho da população pelo NHS.

O advogado Silvio Guidi aproveitou para trazer um comparativo com a situação brasileira. “Aqui no Brasil temos ações de voluntariado também, mas é mais das próprias comunidades carentes. Mas vejo (ou se noticia) muito pouco esta sociedade brasileira organizada para ações de voluntariado. E aqui temos muito mais pessoas em situações de vulnerabilidade. O estado não dá conta, precisa da sociedade civil organizada para ter essa plenitude das necessidades dos cidadãos supridas. Acho muito legal o que vem acontecendo, principalmente no entretenimento, lives dos artistas. Mas também precisamos dessa organização de responsabilidade social. E isso que tem acontecido no Reino Unido é a maior herança que podemos ter dessa conversa”.

Como nos diálogos anteriores, os testes para prevenção e imunidade do Covid-19 também entraram na pauta. “O número total de testes aqui é bastante baixo. Os testes serão importantes para entender quanto da população está contaminada, quando está imunizada e é isso que vai nos ajudar a saber quando que vamos voltar a uma vida mais ou menos normal. O motivo da ansiedade das pessoas em casa é principalmente por não ter uma perspectiva dessa normalização. Não conseguir planejar o futuro”, contou Webber.

Sobre o futuro e a normalização da rotina, Guidi também falou da importância dos testes. “Tem um momento certo para a população voltar às ruas. Não é hora de pensarmos em estatística. Mas, no meu sentir, deve-se testar pessoas com alguns sintomas, para evitarmos internação. A partir daí, mirar nesse grupo de risco, ao lado de pessoas sintomáticas. Os testes sendo utilizados como uma ferramenta de política pública de saúde, para gastar menos com internações”.

“A maior lição para o Brasil, não só agora, mas sempre, é esse sentido de comunidade. As pessoas aqui têm ficado em casa por respeito ao próximo. Passar pelos pontos turísticos vazios é muito triste, parece que a cidade está nua. Mas vemos que as pessoas estão respeitando a situação e umas às outras. Nós precisamos, como um grupo, sair dessa situação da melhor maneira possível”, finalizou Marianne Webber.

O próximo episódio dos Diálogos Covid-19 – sistemas de saúde e combate à pandemia já tem data marcada. Acontecerá na terça-feira (14/04) às 18:00 (horário de Brasília), no Instagram do Vernalha Pereira (@vernalhapereira).

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